Emocionar-se é…

…agir dentro de um certo domínio de ações definidas por certas disposições corporais dinâmicas!

Talvez não seja uma definição bonita ou poética que se possa dar a algo tão belo quanto o fato de “emocionar-se”. Esta é uma definição sobre a ótica da biologia que tirei da leitura de vários materiais sobre as pesquisas de Maturana, que entre outras coisas é biólogo e educador.

Ora, me peguei a observar. Esses dias fui tocar acordeon num barzinho aqui de Sorocaba. Fazia tempo que não tocava em bares e confesso que senti um certo medo misturado com uma certa timidez. Bom, na verdade percebi que estas sensações refletiam na velocidade e qualidade dos meus pensamentos. Refletiam na minha musculatura toda.. meus dedos um tanto trêmulos, uma sensação estranha nos braços e na minha face. Refletiam na forma que eu olhava pras pessoas e recriava aquela sensação e, ao mesmo tempo, tentava me sentir a vontade com fato de que iria tocar dali uns minutos. Como sempre é de acontecer, na hora do show a coisa fluiu muito bem e as emoções que senti foram muito positivas.

Depois de pequena reflexão, me perguntei até se aquela sensação desconfortável inicial não foi, de certa forma, benéfica para o momento em que entrei no palco, já que ela criou uma tensão que se transformou em muita energia na hora de tocar.

Mas perceba: quais são as disposições de seu corpo, de seus músculos e de seus pensamentos quando você está com raiva? Quando você está feliz? Quando está calmo? Quando está apressado? Quais são os líquidos e energias que te movem e quais são as emoções que você percebe?

Bom, é um estudo bem interessante este, por que até uma coisa tão certa quanto o pensamento lógico tem sua base nas emoções. Estive pensando: como planejo meu futuro se estou feliz? Com certeza é diferente de fazer qualquer planejamento com preocupações, sentindo tristeza ou raiva.

O cérebro límbico, que é constituído pelas camadas mais profundas do cérebro humano, “controla” (talvez esta não seja a melhor palavra) as emoções e a fisiologia do corpo. Esta é a parte mais antiga do cérebro de nossa espécie e recebe informações de várias partes do corpo. O Neocórtex, parte do cérebro onde se dão as cognições, se formou ao redor do cérebro límbico durante milhões de anos de evolução e sua estrutura (inclusive de tecidos) é diferente do límbico. Uma das consequencias disto é que diante de uma situação ou de uma ameaça, nosso cerébro límbico reage primeiro que o neocórtex. Bom, pelo que entendo, isto deve significar que sentimos emoções antes de racionalizar as coisas e, por consequência, nossa racionalidade é influênciada por nossas emoções.

Segundo David Servan, doutor em ciências neurocognitivas, o cérebro emocional (límbico) nos dirige rumo as experiências que buscamos e o cognitivo (neurocórtex) tenta fazer com que cheguemos lá do modo mais inteligente possível. Como recebem as informações mais ou menos ao mesmo tempo, eles podem cooperar ou competir entre si sobre o controle do pensamento, das emoções ou do comportamento. O resultado dessa interação determina o que sentimos, nossas relações com o mundo e nossos relacionamento com os outros.

Ainda segundo David Servan, a competição entre os dois cérebros, pouco importa a forma que tome, nos torna, seguramente, infelizes.

Me emociono, logo penso? A verdade é que ainda há muitas coisas a serem descobertas sobre nós, seres humanos!

Valores culturais e mercado cultural.. Riquezas culturais X exploração da cultura

Foto: Cavalo-Marinho - Brésil : Fête de Rue du Nordeste - Fnacmusic - Téléchargement de musique

Ontem navegando pela internet, durante uma hora de relax, dei uma procurada no Google por Cavalo-Marinho, um dos folguedos que mais amo. Realmente é uma riqueza de nossa cultura brasileira. Me deparei com um CD que pouca gente conhece por aqui, que se chama Cavalo Marinho, Brésil, Fête de Rue du Nordeste.

É um CD feito produzido por uma gravadora francesa chamada Buda Musique. Comecei a ouvir as faixas demo e vi que era, se não a melhor, uma das mais belas obras de Cavalo-Marinho que já ouvi. Relamente foi gravado com muito carinho e inteligência técnica. Me desesperei pra comprar o CD. Procurei em tudo que é loja virtual no Brasil e adivinha só…. nada de Cavalo-Marinho du Nordeste hehehehehe.

Realmente este CD só está disponível pra venda na frança, em lojas vituais francesas. Nada mais justo.. a gravadora veio aqui, fez um trabalho maravilhoso e tá vendendo lá na frança… só não tenho idéia de quem compra este tipo de CD por lá!

Eu então resolvi comprar o CD, custava 25 Euros! R$ 60 e poucos reais! (fora o frete)! Ia chegar aqui por R$ 100,00. Resolvi então comprar só os arquivos MP3 da gravação… melhor, saiu o CD inteiro por 9 euros.

Agora o que me encucou nesta história toda foi saber que os franceses vieram aqui, capturaram, incentivaram e registraram nossa cultura. Depois eu fui e comprei um CD na frança, que não passa por fronteira física já que o produto que recebi são apenas bits, arquivos MP3s transferidos pelo Ciberspaço, logo não pago imposto nenhum de importação e a venda deste CD de cultura popular Brasileira não gerou receita financeira nenhuma para o Brasil (estou enganado?). Os franceses lucraram com a exploração de nossa cultura. Nada contra, achei o trabalho deles bárbaro.. meu lamento é que não fomos nós que fizemos e por isso acho que pouca gente vai ter acesso a este CD, muita gente que queria…

Cultura popular a parte, acho que este post meu abre um arquivo em minha cabeça que é a questão de produtos multimídias e o comércio internacional deles. Não entendo muito bem como funciona esta questão de importação e exportação, taxas e impostos, mas é bem interessante imaginar que posso comprar 1000 CDs de música e não pagar impostos de importação nenhum e, por incrível que pareça, estar dentro da lei!

É de se pensar, não?

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Frevo, Capoeira e Passo


Frevo
Originally uploaded by lorisgirl.

(Alguém conhece esse cidadão na foto? Achei no Flickr)

Esse cidadão de laranja na foto é o Luciano. Ele me emprestou um livro chamado Frevo, Capoeira e Passo, um estudo muito interessante sobre a história e a formação do frevo.

O Luciano já me contou um pouco da história do frevo, numa mesinha de bar no ano passado lá do lado do Teatro Escola Brincante. Acho que ele é capaz de ficar falando uns dois dias sobre a história do Frevo… o cara manja muito!

De qualquer forma, pra quem não teve ainda oportunidade de colar do lado do Luciano pra ouvir um pouco da história do Frevo, fica aqui minha lembraça sobre a história do que ouvi e do que estou lendo.

O frevo e o passo surgiram no final do século XIV. Pela definição, frevo é a música, passo é a dança. Pra mim é tudo frevo, mas o autor do livro que mencionei, Valdemar de Oliveira, faz esta separação para tratar da dança e do ritmo musical em separado.

Não se sabe o que surgiu primeiro, se foi o frevo (música) ou o passo (dança). O que se sabe é que os músicos faziam aquelas músicas pensando em divertir a galera e a galera queria mais é que os músicos animassem a festa pra se espernearem de tanto dançar, fazendo cada vez mais passos rápidos.

O passo do frevo tem como ancestral a capoeira. No entanto, as raízes da música do frevo são muito superfíciais, pois não há como definir que sua origem é alemã, ou negra, ou italiana, nem indígena nem holandesa, no entanto o frevo faz uma combinação de todas essas culturas rítmicas desinteressadas em se manter como base, mas contribuindo como um pequeno pedaço de um rítmo novo.

O frevo é uma dança e um rítmo genuinamente nacional, pelo fato de ter surgido em Recife devido a uma série de ingredientes e do solo fértil que já estava preparado naquela cidade para o surgimento do mesmo.

Outro ponto interessante é que o frevo é uma dança de certa forma urbana e não rural como diversas outras danças populares Brasileiras pelo fato de ter sua origem na área urbana da cidade de Recife/Pe.

Em outro post eu falo um pouco mais do momento histórico e do surgimento do frevo.