Até que enfim, forró de Sexta em Sorocaba

http://img3.orkut.com/images/mittel/47/11250047.jpgEssa é pra quem gosta!

Já há 2 ou 3 anos que comecei a tocar forró em Sorocaba. A história do forró na cidade é longa, mas pra resumir, quando eu comecei, o point eram as quarta-feiras no Bier. Época em que o Trio Macaíba animava a noite ao som de muito pé-de-serra… era muito bom.

O tempo passou, o Bier ficou pra trás e a verdade é que a única opção que restou (considerável) foram os sábados com o Forró Maromba, no Espaço Fórum.

E a Sexta Feira?? Pois é, o Forró Eusébio, minha banda, tá tocando toda sexta feira agora no Bar Brasil, no Campolim, animando a galera, com forró, pé-de-serra, universitário, cirandas e o que mais vier :-)

Pra quem quiser conferir, o Bar Brasil fica Antonio Carlos Comitre, 2869 (descendo). O som começa a rolar nas sextas a partir das 23:30h

Aparece lá!

Teia 2007 e o jornalismo cultural independente

“Um dia o povo brasileiro vai parar de procurar a teia do Homem Aranha e vai dar mais atenção pra Teia da cultura brasileira…”

hehehehe Lenda ou não, dizem que esta foi a última fala do presidente Lula durante a abertura da Teia 2007, evento que reuniu vários pontos de cultura durante 5 dias em Belo Horizonte, pra discutir as políticas relacionadas ao programa cultura viva do ministério da Cultura e para apresentar seus trabalhos culturais (danças, artesanatos, músicas, ações, teatro etc.).

Eu fui a trabalho, mas confesso que me diverti bastante, afinal, quem disse que trabalho significa dor :) Dancei frevo, maracatú, moçambique, cavalo-marinho, jongo e ciranda.

A Papagallis, empresa em que trabalho, foi até lá pra realizar junto a outros atores uma oficina de jornalismo cultural independente. Realizamos um trabalho de 10 dias com 100 pessoas, dentre delas estavam jornalistas, fotógrafos, estudantes de jornalismos, ativistas, malucos etc. Fizemos dois dias de World Café com essa galera pra criar um sentimento de grupo e responder perguntas como “O que é Jornalismo Cultural independente?” e “Como fazer isto?”.

Bom, as várias respostas e novas perguntas vieram do próprio grupo. Fizemos então uma pequena desconferência onde alguns meios de realizar a cobertura independente e ao mesmo tempo compartilhada foram apresentadas e propostas.

O coletivo 100canais do qual faço parte, apresentou a agência Teia, uma proposta de agência de notícias colaborativa que permite uma agregação inteligente de notícias publicadas em blogs pessoais (de diversos jornalistas) através de TAG’s combinadas para um determinado evento, bem como a discussão pública de pautas e divisão da cobertura de maneira orgânica, através de uma rede social formada pelos jornalistas participantes do evento.

Eu dei algumas oficinas a respeito do assunto, tem até um vídeo feito pela Ana Carmem :)

<a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outgoing/youtube.com/watch?v=QMIzBd7YNxw');" href="http://youtube.com/watch?v=QMIzBd7YNxw">http://youtube.com/watch?v=QMIzBd7YNxw</a>

Bom, afinal desses dias, algumas pessoas comentaram a respeito do resultado da oficina.. é melhor ouvir a opinião delas primeiro:

http://papagallis.com.br/2007/11/06/comentarios-sobre-nossa-ativacao-na-teia-2007/

Da minha parte, antes de falar qualquer coisa a respeito sobre jornalismo, coloco minha satisfação e minha crença cada vez maior nas conversações, no diálogo, nas ferramentas sociais como o world café, o círculo, o Open Space/Desconferência. Meu sentimento após essa imersão de duas semanas utilizando essas técnicas participativas, é de que conversar vale a pena.
Quem está dizendo isto é um cara bem introvertido!

Valores culturais e mercado cultural.. Riquezas culturais X exploração da cultura

Foto: Cavalo-Marinho - Brésil : Fête de Rue du Nordeste - Fnacmusic - Téléchargement de musique

Ontem navegando pela internet, durante uma hora de relax, dei uma procurada no Google por Cavalo-Marinho, um dos folguedos que mais amo. Realmente é uma riqueza de nossa cultura brasileira. Me deparei com um CD que pouca gente conhece por aqui, que se chama Cavalo Marinho, Brésil, Fête de Rue du Nordeste.

É um CD feito produzido por uma gravadora francesa chamada Buda Musique. Comecei a ouvir as faixas demo e vi que era, se não a melhor, uma das mais belas obras de Cavalo-Marinho que já ouvi. Relamente foi gravado com muito carinho e inteligência técnica. Me desesperei pra comprar o CD. Procurei em tudo que é loja virtual no Brasil e adivinha só…. nada de Cavalo-Marinho du Nordeste hehehehehe.

Realmente este CD só está disponível pra venda na frança, em lojas vituais francesas. Nada mais justo.. a gravadora veio aqui, fez um trabalho maravilhoso e tá vendendo lá na frança… só não tenho idéia de quem compra este tipo de CD por lá!

Eu então resolvi comprar o CD, custava 25 Euros! R$ 60 e poucos reais! (fora o frete)! Ia chegar aqui por R$ 100,00. Resolvi então comprar só os arquivos MP3 da gravação… melhor, saiu o CD inteiro por 9 euros.

Agora o que me encucou nesta história toda foi saber que os franceses vieram aqui, capturaram, incentivaram e registraram nossa cultura. Depois eu fui e comprei um CD na frança, que não passa por fronteira física já que o produto que recebi são apenas bits, arquivos MP3s transferidos pelo Ciberspaço, logo não pago imposto nenhum de importação e a venda deste CD de cultura popular Brasileira não gerou receita financeira nenhuma para o Brasil (estou enganado?). Os franceses lucraram com a exploração de nossa cultura. Nada contra, achei o trabalho deles bárbaro.. meu lamento é que não fomos nós que fizemos e por isso acho que pouca gente vai ter acesso a este CD, muita gente que queria…

Cultura popular a parte, acho que este post meu abre um arquivo em minha cabeça que é a questão de produtos multimídias e o comércio internacional deles. Não entendo muito bem como funciona esta questão de importação e exportação, taxas e impostos, mas é bem interessante imaginar que posso comprar 1000 CDs de música e não pagar impostos de importação nenhum e, por incrível que pareça, estar dentro da lei!

É de se pensar, não?

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Frevo, Capoeira e Passo


Frevo
Originally uploaded by lorisgirl.

(Alguém conhece esse cidadão na foto? Achei no Flickr)

Esse cidadão de laranja na foto é o Luciano. Ele me emprestou um livro chamado Frevo, Capoeira e Passo, um estudo muito interessante sobre a história e a formação do frevo.

O Luciano já me contou um pouco da história do frevo, numa mesinha de bar no ano passado lá do lado do Teatro Escola Brincante. Acho que ele é capaz de ficar falando uns dois dias sobre a história do Frevo… o cara manja muito!

De qualquer forma, pra quem não teve ainda oportunidade de colar do lado do Luciano pra ouvir um pouco da história do Frevo, fica aqui minha lembraça sobre a história do que ouvi e do que estou lendo.

O frevo e o passo surgiram no final do século XIV. Pela definição, frevo é a música, passo é a dança. Pra mim é tudo frevo, mas o autor do livro que mencionei, Valdemar de Oliveira, faz esta separação para tratar da dança e do ritmo musical em separado.

Não se sabe o que surgiu primeiro, se foi o frevo (música) ou o passo (dança). O que se sabe é que os músicos faziam aquelas músicas pensando em divertir a galera e a galera queria mais é que os músicos animassem a festa pra se espernearem de tanto dançar, fazendo cada vez mais passos rápidos.

O passo do frevo tem como ancestral a capoeira. No entanto, as raízes da música do frevo são muito superfíciais, pois não há como definir que sua origem é alemã, ou negra, ou italiana, nem indígena nem holandesa, no entanto o frevo faz uma combinação de todas essas culturas rítmicas desinteressadas em se manter como base, mas contribuindo como um pequeno pedaço de um rítmo novo.

O frevo é uma dança e um rítmo genuinamente nacional, pelo fato de ter surgido em Recife devido a uma série de ingredientes e do solo fértil que já estava preparado naquela cidade para o surgimento do mesmo.

Outro ponto interessante é que o frevo é uma dança de certa forma urbana e não rural como diversas outras danças populares Brasileiras pelo fato de ter sua origem na área urbana da cidade de Recife/Pe.

Em outro post eu falo um pouco mais do momento histórico e do surgimento do frevo.

Danças brasileiras - Um caminho para o auto-conhecimento

No dia 12/03/2007 tivemos uma aula muitíssimo interessante com a Rosane Almeida no Teatro Escola Brincante. Foi um encontro de extrema importância pra mim, por que conversamos, ou melhor, ouvimos atentamente e com grande interesse a Rosane falar sobre o por que da existência daquele grupo, daquela escola, daquele curso, e fiquei muito surpreso pelas palavras dela.

Antes de iniciarmos a conversa, assistimos um vídeo da série Danças Brasileiras sobre 2 folguedos populares, o “Reizado” e o “Cavalo Marinho”.

Iniciamos a conversa após o vídeo.

(Infelizmente não gravei perfeitamente as palavras dela, então vou dizer daqui pra frente o que lembro e entendi daquela conversa.)

A Rosane começou falando desses reizados, dizendo que essas manifestações ocorrem nesta época que vai mais ou menos do Natal (25/12) até o dia de Reis (06/01), ou seja, um período de aproximadamente 15 dias. Na verdade, a grande maioria dessas manifestações ocorrem em decorrência (supostamente) dessas festas colocadas no calendário cristão e há registro dessas manifestações com mais de 500 anos atrás, ou seja, são procedimentos trazidos pelos europeus para o Brasil.

O que aconteceu é que, devido à posição geográfica de cada povo, essas manifestações tomaram algumas formas. Por exemplo, em regiões onde a pecuária ou o “boi” era mais ativo, houve a incorporação do boi nessas manifestações e, em alguns casos, o boi se tornou o personagem principal da festa, com direito a morte e ressureição do mesmo. Outras regiões tiveram outros desdobramentos. No Sul por exemplo, havia mais folguedos em salões, provavelmente por influencia do clima, e assim surgiram outros tipos de reizados. Em regiões canavieiras, outros tipos de folguedos também surgiram.

Em Pernambuco, por algum motivo X ou Y (alguém pode me ajudar a completar isso?), possuia a maioria dessas variantes: os canaviais, os bois, salões, etc, e lá surgiu por exemplo o Cavalo-marinho, que é uma mistura de teatro, danças, brincadeiras e música.

Mas uma das coisas que a Rosane enfatizou é que, a cultura popular brasileira, é fruto da essência do homem e, por isso, é uma forma de conectar o homem com sua essência, com sua origem. Ela aprofundou a conversa dizendo que essas manifestações cristãs não tiveram sua origem na igreja. A humanidade sempre celebrou seus períodos de colheita, os solstícios e outros eventos. A igreja adaptou seu calendário e sua forma à essas celebrações já existentes, talvez como forma de obter controle sobre as pessoas à longo prazo. Sendo assim, se fizermos uma regressão, perceberemos que as danças e manifestações que estamos cultivando hoje, são as mesmas manifestações que aconteciam na chegada dos europeus ao Brasil, são as mesmas manifestações que ocorriam nas festas das colheitas.

O que ocorreu foi uma adaptação dos brincantes para representar as novas imagens criadas pela humanidade como reis, rainhas, reinados, soldados (personagem do cavalo marinho), etc. Mas a essência é a mesma, a celabração é uma necessidade talvez intrinsica do ser humano.

A conversa aprofundou mais ainda quando a Rosane falou do motivo pelo qual o ser humano (os da cidade) tem essa imensa dificuldade de achar sua função, sua motivação. O ser humano atual recebe as imagens em sua mente, através de propagandas, através de músicas comerciais, e por necessidade da natureza do homem, ele tem que viver aquelas imagens da qual ela cultiva. Assim, o corpo, os atos do ser e o pensamento dele se molda à essas imagens. Antigamente não era assim… A humanidade sempre criou imagens a partir de sua vivência e de seus sonhos, ou seja, de dentro para fora. Os portugueses sonharam com outras terras antes de navegar. Agora, as fantasias colocadas pela mídia faz com que as pessoas desejem viver as imagens fantasiosas que são despejadas em nossas mentes, através de nossos sentidos e nosso corpo tende a acompanhar. Sendo assim, houve uma espécie de inversão da vida, que está ocorrendo de fora para dentro.

Daí o assunto rolou… me lembrei em silêncio do filme “Quem Somos Nós?“, da parte em que se fala dos peptídeos, alias, de várias partes. O tema foi aprofundando e quando percebi estavamos ouvindo a Rosane falar de religação (ou religião) através da dança. Falou de como o camarada que está dançando cavalo marinho entra em transe… comparou esse transe como equivalente ao transe que um iogue entra.

E nesse ponto da conversa entendi finalmente o que me interessa nessa história de Dança Populares Brasileiras. Nela existem todos os elementos para nos reencontrarmos com nossa essência, com a criança, com a pureza interior, com a consciência.

John McLaughlin and Paco de Lucia - Frevo Rasgado (live)
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De onde nossos amigos tiram tantas notas?

Sanfoneiro

Untitled Photo

Salve o mestre Sanfoneiro
Animador de festas e festejos

PENSANDO PERFORMANCE E CAVALO MARINHO

Cruzamentos e origens


por Mariana S. Oliveira

I. PERFORMANCE E CAVALO MARINHO
url: http://hemi.nyu.edu/course-rio/perfconq04/students/work/Mariana%20S.%20Oliveira.htm


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PODE ACABAR TUDO, MENOS O CAVALO MARINHO

UM BRINCANTE


O CAPITÃO.
O
Cavalo Marinho, como o Bumba-meu-boi, é uma aglutinação dos Reisados.
Ao longo do espetáculo são agrupados cantos, loas, personagens e parte
do Boi de Reis. É um verdadeiro auto popular que fala da vida passada e
presente do povo. Uma tradição popular que vem se mantendo viva,
principalmente durante o ciclo natalino. Não há como ficar indiferente
à apresentação desta brincadeira de origem portuguesa e que fincou suas
raízes nos costumes do povo da Zona Norte de Pernambuco. Tudo nos leva
a achar maravilhoso esta manifestação do folclore pernambucano, desde a
música com o seu som característico produzida pelos tocadores da
rabeca, pandeiro, ganzá e reco-reco, que se parece muito com as toadas
árabes. Os seus divertidos diálogos, suas danças parecem fazer parte de
uma espécie de Teatro Mágico.

A história do Cavalo Marinho basicamente é a seguinte: os personagens
Mateus e Bastião, que participam do início ao fim da brincadeira, são
dois negros amigos, que dividem a mesma mulher, a Catirina, e estão à
procura de emprego. Eles são contratados para tomar conta da festa. O
espetáculo é costurado ou coordenado pelo Capitão, de quem se origina o
nome do folguedo. O nome do capitão é Marinho e ele chega montado em
seu cavalo, daí a história dá seu prosseguimento até o momento final,
quando o boi é dividido entre os participantes numa grande farra. Ao
todo são 76 personagens (humanos e animais), representados em 63 atos.

O espetáculo tem início quando os toadeiros tomam assento no
“banco” (orquestra) e saúdam os donos do terreiro e o público. Os
primeiros personagens a surgir são Bastião e Mateus, após eles, começa
uma sucessão de personagens que vão se apresentando perante o público,
que também participa dos diálogos e brincadeiras.


Entre
os personagens ou figuras mais participativas do Cavalo Marinho estão
os galantes e damas (que representam a elite que vem abrilhantar a
festa), o Capitão (dono da terra ou chefe político da área), o Soldado
(elemento opressor a serviço do poder), o Caboclo de Arubá ( entidade
sobrenatural que canta todas as linhas de Jurema) e o Boi (presença
constante na vida do homem do campo). São 6 os galantes e duas as damas.

O CAPITÃO COM UM DOS GALANTES.

Antigamente, como só homens dançavam o folguedo, eles se travestiam
para representar estes personagens, hoje as mulheres conquistaram
espaço tanto na brincadeira como na orquestra. As roupas são enfeitadas
com fitas e espelhos e os chapéus têm abas horizontais adornadas com
pingentes dourados.

O Capitão ou Mestre é o empresário do folguedo. Usando um apito ele
marca o ritmo da música, ordena o início e o término da atuação dos
figurantes. Em algumas partes da brincadeira conduz a armação em forma
de cavalo e ostenta dragonas no ombro.
O Soldado, apesar de usar boné caracterizando um militar, tem no seu
traje uma mistura de farda com roupa civil.
O Caboclo de Arubá usa calça comum, sem camisa, cocar de pena e óculos
escuros. Já o boi é uma armação de tábua ou bambu coberto de tecido
pintado com uma caveira de boi no lugar da cabeça que é revestida de
papel e os seus chifres são adornados com fitas multicoloridas.

Outros personagens, não menos importantes, surgem no decorrer
da brincadeira, contribuindo para o desenrolar do enredo, pontuado
pelas toadas cantadas pelos ocupantes dos bancos. Cada integrante,
interpreta três ou quatro personagens já que o total de figuras é de 76.
Nos versos que surgem no correr da brincadeira, foi incorporado um
palavreado típico do homem da região. Expressões como REAR (ir embora),
VAGEM ( lugar onde o boi é amarrado para comer), BARRER (varrer) e
SAMBADA (festa, dança).
O aspecto religioso está sempre presente no folguedo, no qual são
feitas diversas saudações aos Santos e a Deus. O Real, o Fantástico e o
Imaginário estão presentes em todo o espetáculo do Cavalo Marinho.

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