Valores culturais e mercado cultural.. Riquezas culturais X exploração da cultura
outubro 3rd, 2007 — richieriFoto: Cavalo-Marinho - Brésil : Fête de Rue du Nordeste - Fnacmusic - Téléchargement de musique
Ontem navegando pela internet, durante uma hora de relax, dei uma procurada no Google por Cavalo-Marinho, um dos folguedos que mais amo. Realmente é uma riqueza de nossa cultura brasileira. Me deparei com um CD que pouca gente conhece por aqui, que se chama Cavalo Marinho, Brésil, Fête de Rue du Nordeste.
É um CD feito produzido por uma gravadora francesa chamada Buda Musique. Comecei a ouvir as faixas demo e vi que era, se não a melhor, uma das mais belas obras de Cavalo-Marinho que já ouvi. Relamente foi gravado com muito carinho e inteligência técnica. Me desesperei pra comprar o CD. Procurei em tudo que é loja virtual no Brasil e adivinha só…. nada de Cavalo-Marinho du Nordeste hehehehehe.
Realmente este CD só está disponível pra venda na frança, em lojas vituais francesas. Nada mais justo.. a gravadora veio aqui, fez um trabalho maravilhoso e tá vendendo lá na frança… só não tenho idéia de quem compra este tipo de CD por lá!
Eu então resolvi comprar o CD, custava 25 Euros! R$ 60 e poucos reais! (fora o frete)! Ia chegar aqui por R$ 100,00. Resolvi então comprar só os arquivos MP3 da gravação… melhor, saiu o CD inteiro por 9 euros.
Agora o que me encucou nesta história toda foi saber que os franceses vieram aqui, capturaram, incentivaram e registraram nossa cultura. Depois eu fui e comprei um CD na frança, que não passa por fronteira física já que o produto que recebi são apenas bits, arquivos MP3s transferidos pelo Ciberspaço, logo não pago imposto nenhum de importação e a venda deste CD de cultura popular Brasileira não gerou receita financeira nenhuma para o Brasil (estou enganado?). Os franceses lucraram com a exploração de nossa cultura. Nada contra, achei o trabalho deles bárbaro.. meu lamento é que não fomos nós que fizemos e por isso acho que pouca gente vai ter acesso a este CD, muita gente que queria…
Cultura popular a parte, acho que este post meu abre um arquivo em minha cabeça que é a questão de produtos multimídias e o comércio internacional deles. Não entendo muito bem como funciona esta questão de importação e exportação, taxas e impostos, mas é bem interessante imaginar que posso comprar 1000 CDs de música e não pagar impostos de importação nenhum e, por incrível que pareça, estar dentro da lei!
É de se pensar, não?
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Tags: culturapopular comércio mercado internacional cavalo marinho cavalo-marinho importação

No dia 12/03/2007 tivemos uma aula muitíssimo interessante com a Rosane Almeida no Teatro Escola Brincante. Foi um encontro de extrema importância pra mim, por que conversamos, ou melhor, ouvimos atentamente e com grande interesse a Rosane falar sobre o por que da existência daquele grupo, daquela escola, daquele curso, e fiquei muito surpreso pelas palavras dela.
O que aconteceu é que, devido à posição geográfica de cada povo, essas manifestações tomaram algumas formas. Por exemplo, em regiões onde a pecuária ou o “boi” era mais ativo, houve a incorporação do boi nessas manifestações e, em alguns casos, o boi se tornou o personagem principal da festa, com direito a morte e ressureição do mesmo. Outras regiões tiveram outros desdobramentos. No Sul por exemplo, havia mais folguedos em salões, provavelmente por influencia do clima, e assim surgiram outros tipos de reizados. Em regiões canavieiras, outros tipos de folguedos também surgiram.
Em Pernambuco, por algum motivo X ou Y (alguém pode me ajudar a completar isso?), possuia a maioria dessas variantes: os canaviais, os bois, salões, etc, e lá surgiu por exemplo o Cavalo-marinho, que é uma mistura de teatro, danças, brincadeiras e música.
A conversa aprofundou mais ainda quando a Rosane falou do motivo pelo qual o ser humano (os da cidade) tem essa imensa dificuldade de achar sua função, sua motivação. O ser humano atual recebe as imagens em sua mente, através de propagandas, através de músicas comerciais, e por necessidade da natureza do homem, ele tem que viver aquelas imagens da qual ela cultiva. Assim, o corpo, os atos do ser e o pensamento dele se molda à essas imagens. Antigamente não era assim… A humanidade sempre criou imagens a partir de sua vivência e de seus sonhos, ou seja, de dentro para fora. Os portugueses sonharam com outras terras antes de navegar. Agora, as fantasias colocadas pela mídia faz com que as pessoas desejem viver as imagens fantasiosas que são despejadas em nossas mentes, através de nossos sentidos e nosso corpo tende a acompanhar. Sendo assim, houve uma espécie de inversão da vida, que está ocorrendo de fora para dentro.
