UM BRINCANTE
 O CAPITÃO. |
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O
Cavalo Marinho, como o Bumba-meu-boi, é uma aglutinação dos Reisados.
Ao longo do espetáculo são agrupados cantos, loas, personagens e parte
do Boi de Reis. É um verdadeiro auto popular que fala da vida passada e
presente do povo. Uma tradição popular que vem se mantendo viva,
principalmente durante o ciclo natalino. Não há como ficar indiferente
à apresentação desta brincadeira de origem portuguesa e que fincou suas
raízes nos costumes do povo da Zona Norte de Pernambuco. Tudo nos leva
a achar maravilhoso esta manifestação do folclore pernambucano, desde a
música com o seu som característico produzida pelos tocadores da
rabeca, pandeiro, ganzá e reco-reco, que se parece muito com as toadas
árabes. Os seus divertidos diálogos, suas danças parecem fazer parte de
uma espécie de Teatro Mágico. |
A história do Cavalo Marinho basicamente é a seguinte: os personagens
Mateus e Bastião, que participam do início ao fim da brincadeira, são
dois negros amigos, que dividem a mesma mulher, a Catirina, e estão à
procura de emprego. Eles são contratados para tomar conta da festa. O
espetáculo é costurado ou coordenado pelo Capitão, de quem se origina o
nome do folguedo. O nome do capitão é Marinho e ele chega montado em
seu cavalo, daí a história dá seu prosseguimento até o momento final,
quando o boi é dividido entre os participantes numa grande farra. Ao
todo são 76 personagens (humanos e animais), representados em 63 atos.
O espetáculo tem início quando os toadeiros tomam assento no
“banco” (orquestra) e saúdam os donos do terreiro e o público. Os
primeiros personagens a surgir são Bastião e Mateus, após eles, começa
uma sucessão de personagens que vão se apresentando perante o público,
que também participa dos diálogos e brincadeiras.
Entre
os personagens ou figuras mais participativas do Cavalo Marinho estão
os galantes e damas (que representam a elite que vem abrilhantar a
festa), o Capitão (dono da terra ou chefe político da área), o Soldado
(elemento opressor a serviço do poder), o Caboclo de Arubá ( entidade
sobrenatural que canta todas as linhas de Jurema) e o Boi (presença
constante na vida do homem do campo). São 6 os galantes e duas as damas. |
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 O CAPITÃO COM UM DOS GALANTES. |
Antigamente, como só homens dançavam o folguedo, eles se travestiam
para representar estes personagens, hoje as mulheres conquistaram
espaço tanto na brincadeira como na orquestra. As roupas são enfeitadas
com fitas e espelhos e os chapéus têm abas horizontais adornadas com
pingentes dourados.
O Capitão ou Mestre é o empresário do folguedo. Usando um apito ele
marca o ritmo da música, ordena o início e o término da atuação dos
figurantes. Em algumas partes da brincadeira conduz a armação em forma
de cavalo e ostenta dragonas no ombro.
O Soldado, apesar de usar boné caracterizando um militar, tem no seu
traje uma mistura de farda com roupa civil.
O Caboclo de Arubá usa calça comum, sem camisa, cocar de pena e óculos
escuros. Já o boi é uma armação de tábua ou bambu coberto de tecido
pintado com uma caveira de boi no lugar da cabeça que é revestida de
papel e os seus chifres são adornados com fitas multicoloridas.
Outros personagens, não menos importantes, surgem no decorrer
da brincadeira, contribuindo para o desenrolar do enredo, pontuado
pelas toadas cantadas pelos ocupantes dos bancos. Cada integrante,
interpreta três ou quatro personagens já que o total de figuras é de 76.
Nos versos que surgem no correr da brincadeira, foi incorporado um
palavreado típico do homem da região. Expressões como REAR (ir embora),
VAGEM ( lugar onde o boi é amarrado para comer), BARRER (varrer) e
SAMBADA (festa, dança).
O aspecto religioso está sempre presente no folguedo, no qual são
feitas diversas saudações aos Santos e a Deus. O Real, o Fantástico e o
Imaginário estão presentes em todo o espetáculo do Cavalo Marinho.
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